Graças à gripe suína e à extensão das férias escolares por mais duas semanas, ganhamos 15 dias não previstos de avó em casa para cuidar da O.
Minha mãe tem passado todas as suas férias longe de sua casa, cuidando não só da neta, mas de nós três. Organizou o armário da O., do quarto de despejo e da cozinha. Tem feito almoço e jantar, costurado algumas roupas e me deixado bem tranqüila para trabalhar fora de casa, voltando na hora do almoço para amamentar a pequena.
Com isso, foi possível adiar o início dos trabalhos da empregada, que começaria em tempo integral em Agosto, pra cuidar da O. enquanto eu concluo a tese.
Esta divina coincidência permitiu que a O. tivesse companhia de alguma avó o mês inteiro: assim que mamãe voltar pra sua casa, a avó paterna vem passar outras duas semanas com a netinha.
Essas avós têm sido tão generosas que me emocionam e me fazem pensar no tamanho da minha responsabilidade em fazer bem feita esta tese... Ambas são sobrecarregadas de trabalho e ainda assim encontraram tempo, que poderia ser usado para seu próprio descanso, para nos ajudar nesse momento delicado que estamos passando.
Acho que nunca serei capaz de agradecer suficientemente a elas por mais este carinho, que nem imaginam o quanto este tempo tem sido importante para O., para mim e para o pai... É um alívio tão grande saber que meu anjo está em carinhosas mãos nesta fase tão crucial de sua pequena vidinha. Nenhuma creche ou babá poderia proporcionar tamanho bem estar a ela.
O, por sua vez, retribui com lindos sorrisos às suas queridas vovós, me dando a impressão que entende o que está se passando, que percebe as escolhas que eu e seu pai temos feito e o apoio que temos recebido de nossa família para poder colocá-las em prática.
E eu tenho a nítida, quase concreta sensação de que o céu tem conspirado à nosso favor!
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segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Capítulo
Quase concluí o primeiro capítulo da tese, que na verdade é o quarto na ordem de apresentação.
Mas uma visita à favela do Jaguaré me fez repensar todo o trabalho...
Fiquei bastante impressionada com a qualidade dos conjuntos habitacionais implantados lá. O projeto que estudei sofreu muito poucas alterações, a maioria delas devido à inadequação de uma das tipologias, que não pôde ser implantada como previsto.Mas uma visita à favela do Jaguaré me fez repensar todo o trabalho...
Em seu lugar, a SEHAB desenvolveu um outro projeto de edifício de 7 andares, com acesso intermediário (sobe 4 andares ou desce 2).
Este da foto é o conjunto que eu estudo, de 5 andares, projeto de 2003/2004 e que sofreu alterações apenas na implantação, para garantir a abertura da praça para mais usuários. Achei a justificativa válida e gostei do resultado.
Pensei em novas categorias de análise (não imaginadas quando o método previa apenas estudo de projeto, e não de obra implantada) e agora, com quase o estudo pronto, penso em refazer o estudo de caso.
Estou num impasse faz três dias, nos quais o trabalho tem rendido muito pouco.
Me deixando bastante culpada por não estar mais tempo com minha filhinha...
terça-feira, 7 de julho de 2009
Equilíbrio
Aos poucos vou conseguindo dar jeito no trabalho. Amanhã terei reunião com o orientador, a segunda do ano! Espero não perder muito do que já fiz a partir das considerações dele.
A semana que passou fiquei lutando com a introdução da tese, aquelas 6 ou 7 páginas que justificam a escolha do tema e dão um apanhado sobre o conteúdo de cada capítulo. Estas páginas precisam "vender" o trabalho, cativar o leitor quanto à relevância do assunto e forma como é tratado. Eu escrevi e reescrevi muitas vezes, até encontrar um caminho, um tom adequado. Nada me parecia preciso o suficiente, e acho que precisão é essencial para um texto acadêmico: ir direto ao ponto sem ser superficial demais, mas sem perder nenhum detalhe relevante. Esse ponto de equilíbrio é difícil de encontrar. Eu tinha uma estrutura prévia dos capítulos que também não me satisfazia. Por isso, redigir a introdução serviu para redefinir melhor os capítulos. Terminei por suprimir um deles e a coisa ficou mais enxuta e direta. Gosto mais assim.
Quanto à filhota, vai muito bem, obrigada! Hoje encontramos mais um dentinho: agora ela tem 5 dentes! Fomos almoçar os três num restaurante aqui perto e ela deu seu showzinho, acenando pras pessoas e sorrindo muito. Espetáculo!
No fim das contas, o equilíbrio entre ser mãe e ser doutoranda tem sido muito proveitoso. Não tenho me entediado com nenhuma das duas tarefas, uma alimenta à outra e ambas satisfazem à alma. Nunca imaginei que pudesse ser assim...
A semana que passou fiquei lutando com a introdução da tese, aquelas 6 ou 7 páginas que justificam a escolha do tema e dão um apanhado sobre o conteúdo de cada capítulo. Estas páginas precisam "vender" o trabalho, cativar o leitor quanto à relevância do assunto e forma como é tratado. Eu escrevi e reescrevi muitas vezes, até encontrar um caminho, um tom adequado. Nada me parecia preciso o suficiente, e acho que precisão é essencial para um texto acadêmico: ir direto ao ponto sem ser superficial demais, mas sem perder nenhum detalhe relevante. Esse ponto de equilíbrio é difícil de encontrar. Eu tinha uma estrutura prévia dos capítulos que também não me satisfazia. Por isso, redigir a introdução serviu para redefinir melhor os capítulos. Terminei por suprimir um deles e a coisa ficou mais enxuta e direta. Gosto mais assim.
Quanto à filhota, vai muito bem, obrigada! Hoje encontramos mais um dentinho: agora ela tem 5 dentes! Fomos almoçar os três num restaurante aqui perto e ela deu seu showzinho, acenando pras pessoas e sorrindo muito. Espetáculo!
No fim das contas, o equilíbrio entre ser mãe e ser doutoranda tem sido muito proveitoso. Não tenho me entediado com nenhuma das duas tarefas, uma alimenta à outra e ambas satisfazem à alma. Nunca imaginei que pudesse ser assim...
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tese
terça-feira, 16 de junho de 2009
Tem pai que é uma mãe...
Para a saúde e bem estar de todos nós, M. resolveu ficar em casa todas as manhãs tomando conta da O. Desde então, meu trabalho começou finalmente a andar.
A O. adorou a novidade. Há muitas coisas que o pai faz melhor do que eu, tem muito mais paciência. Uma delas é dar comida. A refeição de um bebê leva pelo menos 30 minutos, com direito a muitas cusparadas e reclamações. Mas M. faz com o maior prazer e ambos se divertem muito.
Foi e é muito difícil para mim delegar essas funções. Ontem eu estava com uma dificuldade enorme de deixá-lo tomar conta da situação, ficava o tempo todo dando ordens e xeretando o que estavam fazendo. Para que eu parasse quieta no meu canto, M. passou a chave na porta do quarto... e ainda disse que se eu precisasse de algo era só chamar! Foi uma brincadeira bastante eloquente, acabou surtindo efeito. Hoje o dia rendeu muito mais...
Ai, não vejo a hora de acabar essa tese e poder sair da minha doce prisão domiciliar!
A O. adorou a novidade. Há muitas coisas que o pai faz melhor do que eu, tem muito mais paciência. Uma delas é dar comida. A refeição de um bebê leva pelo menos 30 minutos, com direito a muitas cusparadas e reclamações. Mas M. faz com o maior prazer e ambos se divertem muito.
Foi e é muito difícil para mim delegar essas funções. Ontem eu estava com uma dificuldade enorme de deixá-lo tomar conta da situação, ficava o tempo todo dando ordens e xeretando o que estavam fazendo. Para que eu parasse quieta no meu canto, M. passou a chave na porta do quarto... e ainda disse que se eu precisasse de algo era só chamar! Foi uma brincadeira bastante eloquente, acabou surtindo efeito. Hoje o dia rendeu muito mais...
Ai, não vejo a hora de acabar essa tese e poder sair da minha doce prisão domiciliar!
quinta-feira, 14 de maio de 2009
domingo, 10 de maio de 2009
Encerramento de prazo
Email do sistema de pós graduação da USP, recebido dia 29 de abril e só semana passada que eu vi...:
Caro(a) Patricia XXXXXX (código XXXXXX),
Informamos que restam apenas 6 meses para que se encerre o prazo para o depósito de sua tese ou dissertação.
Desejamos sucesso na conclusão de sua pesquisa!
Atenciosamente,
Gerência do Sistema FenixWeb
Caro(a) Patricia XXXXXX (código XXXXXX),
Informamos que restam apenas 6 meses para que se encerre o prazo para o depósito de sua tese ou dissertação.
Desejamos sucesso na conclusão de sua pesquisa!
Atenciosamente,
Gerência do Sistema FenixWeb
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Desculpas pra não trabalhar
Como é difícil entrar no ritmo do doutorado... quando não tenho um bom motivo pra não trabalhar como o resfriado da O, cada dia arranjo uma desculpa pra adiar o retorno à rotina.
Trabalhar sozinha é muito difícil, solitário. Em casa então, complica ainda mais.
Neste momento, tenho de, a partir do método de análise de projetos que estabeleci, praticá-lo em duas favelas escolhidas, a Vila Nova Jaguaré e o Jardim Olinda.
Meus problemas começam no próprio material recolhido para este trabalho. Enquanto o projeto da favela Jaguaré é um projeto básico, o Jardim Olinda é um estudo preliminar. Assim, para o trabalho final, nunca poderei comparar os resultados. Mas para testar o método, acho que tudo bem analisar as duas áreas.
Acho. Pois vira e mexe essa questão me paralisa e volto à estaca quase-zero. Ou seja, esta é a desculpa do momento para enrolar e não trabalhar!
Outra desculpa esfarrapadíssima que dou pra mim mesma é que tenho muitas coisas pra organizar. De fato, o armário e a cômoda da O. estavam uma zona e eu não encontrava nada neles. Roupas deixaram de servir e sequer foram usadas, já que eu nem as via...Tirei tudo de dentro da cômoda primeiro e levei duas semanas para colocar de volta! Duas semanas para arrumar 4 gavetas, quanta produtividade! Tá certo, teve o resfriado no meio do caminho, a viagem pra Ubatuba... Hoje finalmente terminei de arrumá-la, agora tenho de pegar firme no armário!
Depois é só criar vergonha na cara para trabalhar na tese um pouquinho, pois já tô ficando preocupada!
Trabalhar sozinha é muito difícil, solitário. Em casa então, complica ainda mais.
Neste momento, tenho de, a partir do método de análise de projetos que estabeleci, praticá-lo em duas favelas escolhidas, a Vila Nova Jaguaré e o Jardim Olinda.
Meus problemas começam no próprio material recolhido para este trabalho. Enquanto o projeto da favela Jaguaré é um projeto básico, o Jardim Olinda é um estudo preliminar. Assim, para o trabalho final, nunca poderei comparar os resultados. Mas para testar o método, acho que tudo bem analisar as duas áreas.
Acho. Pois vira e mexe essa questão me paralisa e volto à estaca quase-zero. Ou seja, esta é a desculpa do momento para enrolar e não trabalhar!
Outra desculpa esfarrapadíssima que dou pra mim mesma é que tenho muitas coisas pra organizar. De fato, o armário e a cômoda da O. estavam uma zona e eu não encontrava nada neles. Roupas deixaram de servir e sequer foram usadas, já que eu nem as via...Tirei tudo de dentro da cômoda primeiro e levei duas semanas para colocar de volta! Duas semanas para arrumar 4 gavetas, quanta produtividade! Tá certo, teve o resfriado no meio do caminho, a viagem pra Ubatuba... Hoje finalmente terminei de arrumá-la, agora tenho de pegar firme no armário!
Depois é só criar vergonha na cara para trabalhar na tese um pouquinho, pois já tô ficando preocupada!
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quarta-feira, 22 de abril de 2009
F.A.Q.
1. Qual o assunto deste blog?
Verbalizar os pensamentos e sensações deste período da vida em que estou aprendendo a ser mãe. Quem sabe assim consigo me concentrar na tese quando estou trabalhando nela...
2. Por que um blog?
Porque passo o dia todo apenas com a O. em casa e, embora ela seja muito comunicativa, ainda não é lá uma grande interlocutora! E neste isolamento surge tanto assunto que é preciso dar vazão, sinto a cabeça cheia... Além disso, os amigos já estavam ficando cansados de tanta amolação no msn!
3. Por que este título?
Porque em matéria de mãe me sinto como uma menininha... e esse apelido foi M. quem me deu!
4. O blog não vai ocupar tempo da tese?
Definitivamente, não! Vai roubar tempo gasto em listas de discussão, jornal, horóscopo... A tese se beneficia pois terá uma válvula de escape. É assim não será tão solitário escrever o trabalho acadêmico...
5. O blog não vai atrapalhar os cuidados com a filha?
Claro que não! Enquanto ela brinca, ou dorme, eu escrevo!
6. A O. vai gostar de ser exposta na internet?
Ah, sei lá... espero que ela receba este blog como uma caixinha de recordações de seus primeiros dias, como a que minha mãe me deu quando me tornei mãe. Mas não descarto a hipótese de que ela morra de vergonha se suas amiguinhas descobrirem!
7. Você se queixa tanto de falta de tempo, onde encontrará tempo pra atualizar o blog?
Esse é o grande mistério que só as mães descobrem! Não conto!
Verbalizar os pensamentos e sensações deste período da vida em que estou aprendendo a ser mãe. Quem sabe assim consigo me concentrar na tese quando estou trabalhando nela...
2. Por que um blog?
Porque passo o dia todo apenas com a O. em casa e, embora ela seja muito comunicativa, ainda não é lá uma grande interlocutora! E neste isolamento surge tanto assunto que é preciso dar vazão, sinto a cabeça cheia... Além disso, os amigos já estavam ficando cansados de tanta amolação no msn!
3. Por que este título?
Porque em matéria de mãe me sinto como uma menininha... e esse apelido foi M. quem me deu!
4. O blog não vai ocupar tempo da tese?
Definitivamente, não! Vai roubar tempo gasto em listas de discussão, jornal, horóscopo... A tese se beneficia pois terá uma válvula de escape. É assim não será tão solitário escrever o trabalho acadêmico...
5. O blog não vai atrapalhar os cuidados com a filha?
Claro que não! Enquanto ela brinca, ou dorme, eu escrevo!
6. A O. vai gostar de ser exposta na internet?
Ah, sei lá... espero que ela receba este blog como uma caixinha de recordações de seus primeiros dias, como a que minha mãe me deu quando me tornei mãe. Mas não descarto a hipótese de que ela morra de vergonha se suas amiguinhas descobrirem!
7. Você se queixa tanto de falta de tempo, onde encontrará tempo pra atualizar o blog?
Esse é o grande mistério que só as mães descobrem! Não conto!
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quinta-feira, 16 de abril de 2009
Ah sim! A Tese!
Entre fraldas e mamadas é preciso parir uma tese de doutorado.
Mas quem quer deixar de namorar um bebê tão lindo?
Ah, se eu pudesse, não faria mais nada da vida!
O., meu amor, este blog é pra contar a maravilha de ser sua mãe... enquanto se produz uma tese!
Mas quem quer deixar de namorar um bebê tão lindo?
Ah, se eu pudesse, não faria mais nada da vida!
O., meu amor, este blog é pra contar a maravilha de ser sua mãe... enquanto se produz uma tese!
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