PP foi visitar a prima lá em casa... se sentiu muito grande!
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quinta-feira, 20 de agosto de 2009
domingo, 24 de maio de 2009
As crianças aprendem o que vivenciam
É chocante verificar o grau de abandono da infância em nosso país.
No (excelente) documentário "Criança, a alma do negócio" vê-se que as crianças brasileiras são as que mais passam tempo diário em frente à tv (quase 5 horas por dia, em média), tempo este maior do que o que passam com os pais. Não é difícil imaginar quem, ou o quê, está educando os pequenos.
No caderno Mais da Folha de hoje há fotos da pequena apresentadora Maísa chorando (sim, ela chora em público além de ser constantemente humilhada pelo seu patrão, ninguém menos que Silvio Santos). Maísa mal completou 7 anos... O que faz o conselho tutelar que ignora tal abuso? Quantos pais e filhos não assistem, passivamente, a esta significativa exploração da menina ao vivo e à cores, todas as semanas?
Esta semana, num condomínio de luxo aqui em São Paulo, M. presenciou uma mãe sair de seu imenso SUV e gritar histericamente com o filho de pouco mais de 5 anos, que também foi surrado. Em público. A violência contra as crianças independe de classe social, nisso somos bastante democráticos. E não se restringe à esfera da vida privada, já que a mãe não aparentava estar constrangida dando um "corretivo" no filho.
Crianças são indivíduos em formação. Aprendem tudo o que ensinamos à elas, ou o que deixamos de ensinar. Os exemplos que os adultos têm dado aos pequenos em nossa cultura são o de que não merecem consideração (por isso são abandonados em frente à tv), podem ser ridicularizados para deleite dos mais velhos (tal como Maísa) e devem covardemente abusar dos mais fracos, daqueles que não podem se defender (já que surrar uma criança é sinônimo de educar por aqui...). Não estamos muito atentos às consequências destes atos quanto à formação dos futuros cidadãos da nossa sociedade, como nos ensina este poema de uma educadora americana, que inclusive dá o nome a este post.
No (excelente) documentário "Criança, a alma do negócio" vê-se que as crianças brasileiras são as que mais passam tempo diário em frente à tv (quase 5 horas por dia, em média), tempo este maior do que o que passam com os pais. Não é difícil imaginar quem, ou o quê, está educando os pequenos.
No caderno Mais da Folha de hoje há fotos da pequena apresentadora Maísa chorando (sim, ela chora em público além de ser constantemente humilhada pelo seu patrão, ninguém menos que Silvio Santos). Maísa mal completou 7 anos... O que faz o conselho tutelar que ignora tal abuso? Quantos pais e filhos não assistem, passivamente, a esta significativa exploração da menina ao vivo e à cores, todas as semanas?
Esta semana, num condomínio de luxo aqui em São Paulo, M. presenciou uma mãe sair de seu imenso SUV e gritar histericamente com o filho de pouco mais de 5 anos, que também foi surrado. Em público. A violência contra as crianças independe de classe social, nisso somos bastante democráticos. E não se restringe à esfera da vida privada, já que a mãe não aparentava estar constrangida dando um "corretivo" no filho.
Crianças são indivíduos em formação. Aprendem tudo o que ensinamos à elas, ou o que deixamos de ensinar. Os exemplos que os adultos têm dado aos pequenos em nossa cultura são o de que não merecem consideração (por isso são abandonados em frente à tv), podem ser ridicularizados para deleite dos mais velhos (tal como Maísa) e devem covardemente abusar dos mais fracos, daqueles que não podem se defender (já que surrar uma criança é sinônimo de educar por aqui...). Não estamos muito atentos às consequências destes atos quanto à formação dos futuros cidadãos da nossa sociedade, como nos ensina este poema de uma educadora americana, que inclusive dá o nome a este post.
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sexta-feira, 8 de maio de 2009
Para ver o belo
Os brinquedos à venda por aí tem me incomodado bastante, já há algum tempo.
Por muitos anos, desde que minha irmã deixou a infância, não me relacionei diretamente com eles. Foi só com o nascimento do PP que passei a procurá-los e me choquei com sua qualidade estética: cores de mais e criatividade de menos. São objetos pobres em beleza, aspecto este muitas vezes considerado menos importante, talvez por ser intangível...
O Inmetro tem feito bastante com relação à segurança dos brinquedos, assunto indiscutivelmente importante. Porém, e quanto ao seu conteúdo formal?
Não serei saudosista dizendo que "no meu tempo" a coisa era melhor... A referência de qualidade na minha infância era a Estrela e, do que me lembro, eram brinquedos bem feínhos, com muito plástico e materiais sintéticos. Não agradavam nem aos olhos nem ao tato.
Hoje reinam os brinquedos oriundos da China e custam muito, muito barato. Assim, além dos materiais pobres, acrescenta-se nesta mistura um bocado de luzes e sons para irritar até aos mais insensíveis, abrutalhados por viver em cidades barulhentas e caóticas como as nossas... Não acho que isso seja culpa dos chineses. O responsável é o espírito de nosso tempo, onde tudo tem de ser fugaz para vender. De preferência, muito! Fico aqui pensando nos lindos brinquedos que deveriam existir na China antes da Revolução Cultural... Num momento em que o intercâmbio entre países nunca foi tão facilitado como hoje, o que recebemos da China não passa de quinquilharias da pior categoria. Deixamos de conhecer uma vastidão cultural comparável aos milênios de história chineses e à dimensão de seu atual território.
Penso que estas questões tem relação direta com os males de que padecem nossas cidades e até nossa vida cotidiana. A beleza não é valorizada muito menos considerada como um elemento essencial na formação do caráter de um indivíduo.
Até ser mãe estes temas me suscitavam perguntas, no entanto fui encontrando caminhos pessoais para ir de encontro ao belo. Agora, sendo responsável pela criação de uma menininha, como orientar seu olhar para a beleza e evitar a banalização formal do seu pequenino universo?
Certo dia me deparei com uma exposição no metrô Paraíso de desenhos de crianças do mundo inteiro, selecionados pela UNICEF com auxílio das escolas. Foi há muito tempo, eu ainda era estudante secundarista, porém me marcou muito e foi responsável por muita reflexão, tanto à época quanto hoje. Os desenhos eram incríveis, demonstrando uma enorme capacidade de sintetizar cores e formas, muita criatividade e um senso de harmonia que raramente é visto em nosso dia-a-dia. Eu ficava ainda mais impressionada com a idade de seus autores: 4, 5 anos... Nunca havia visto crianças desta idade desenhar tão bem por aqui. Mas o choque mesmo foi quando encontrei os desenhos do Brasil. Não só seus autores eram mais velhos (idade em que a maioria das nossas crianças tem acesso à educação) como suas obras eram mais pobres, simples. Saí da exposição entristecida, pensando no desperdício de capacidades das nossas crianças.
Nossa sociedade não tem estimulado adequadamente o olhar para o belo, esta é a constatação. E os brinquedos de que dispõem nossas crianças são mais uma oportunidade perdida para a aquisição desta capacidade, infelizmente.
Por muitos anos, desde que minha irmã deixou a infância, não me relacionei diretamente com eles. Foi só com o nascimento do PP que passei a procurá-los e me choquei com sua qualidade estética: cores de mais e criatividade de menos. São objetos pobres em beleza, aspecto este muitas vezes considerado menos importante, talvez por ser intangível...
O Inmetro tem feito bastante com relação à segurança dos brinquedos, assunto indiscutivelmente importante. Porém, e quanto ao seu conteúdo formal?
Não serei saudosista dizendo que "no meu tempo" a coisa era melhor... A referência de qualidade na minha infância era a Estrela e, do que me lembro, eram brinquedos bem feínhos, com muito plástico e materiais sintéticos. Não agradavam nem aos olhos nem ao tato.
Hoje reinam os brinquedos oriundos da China e custam muito, muito barato. Assim, além dos materiais pobres, acrescenta-se nesta mistura um bocado de luzes e sons para irritar até aos mais insensíveis, abrutalhados por viver em cidades barulhentas e caóticas como as nossas... Não acho que isso seja culpa dos chineses. O responsável é o espírito de nosso tempo, onde tudo tem de ser fugaz para vender. De preferência, muito! Fico aqui pensando nos lindos brinquedos que deveriam existir na China antes da Revolução Cultural... Num momento em que o intercâmbio entre países nunca foi tão facilitado como hoje, o que recebemos da China não passa de quinquilharias da pior categoria. Deixamos de conhecer uma vastidão cultural comparável aos milênios de história chineses e à dimensão de seu atual território.
Penso que estas questões tem relação direta com os males de que padecem nossas cidades e até nossa vida cotidiana. A beleza não é valorizada muito menos considerada como um elemento essencial na formação do caráter de um indivíduo.
Até ser mãe estes temas me suscitavam perguntas, no entanto fui encontrando caminhos pessoais para ir de encontro ao belo. Agora, sendo responsável pela criação de uma menininha, como orientar seu olhar para a beleza e evitar a banalização formal do seu pequenino universo?
Certo dia me deparei com uma exposição no metrô Paraíso de desenhos de crianças do mundo inteiro, selecionados pela UNICEF com auxílio das escolas. Foi há muito tempo, eu ainda era estudante secundarista, porém me marcou muito e foi responsável por muita reflexão, tanto à época quanto hoje. Os desenhos eram incríveis, demonstrando uma enorme capacidade de sintetizar cores e formas, muita criatividade e um senso de harmonia que raramente é visto em nosso dia-a-dia. Eu ficava ainda mais impressionada com a idade de seus autores: 4, 5 anos... Nunca havia visto crianças desta idade desenhar tão bem por aqui. Mas o choque mesmo foi quando encontrei os desenhos do Brasil. Não só seus autores eram mais velhos (idade em que a maioria das nossas crianças tem acesso à educação) como suas obras eram mais pobres, simples. Saí da exposição entristecida, pensando no desperdício de capacidades das nossas crianças.
Nossa sociedade não tem estimulado adequadamente o olhar para o belo, esta é a constatação. E os brinquedos de que dispõem nossas crianças são mais uma oportunidade perdida para a aquisição desta capacidade, infelizmente.
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